Reskilling e upskilling são estratégias essenciais diante da transformação provocada pela inteligência artificial. Ensinar a equipe a usar uma ferramenta atende a uma necessidade presente. Mas a tecnologia também altera tarefas e redistribui responsabilidades.
Quando isso acontece, a empresa precisa preparar pessoas para trabalhar de outra maneira ou assumir novas funções.
Um levantamento do The Conference Board, publicado em 2026, mostra que os investimentos em capacitação para IA ainda se concentram nas funções atuais. A preparação para mudanças mais profundas recebe menos atenção. A pesquisa ouviu quase 1.300 trabalhadores e entrevistou 35 lideranças empresariais.
O que a pesquisa revela sobre capacitação em IA?
Entre os profissionais ouvidos, 55,1% usam IA generativa ou agentes de IA todos os dias ou todas as semanas. No entanto, apenas 33,3% participaram de alguma capacitação em IA oferecida pela organização nos seis meses anteriores à pesquisa, e 28,3% afirmam que seu empregador não oferece esse tipo de formação.
Mesmo onde existe formação, o conteúdo costuma priorizar conhecimentos introdutórios e técnicas básicas de uso. Há menos iniciativas voltadas à integração da IA aos processos e à aplicação da tecnologia a desafios estratégicos. Essa concentração limita o alcance da preparação profissional.
O acesso ao conteúdo representa apenas parte do desafio. Menos da metade dos trabalhadores concorda que recebe tempo suficiente durante o expediente para desenvolver competências em IA. Sem oportunidade para praticar, o conhecimento sobre a ferramenta dificilmente acompanha a transformação das tarefas.
Reskilling e upskilling respondem a desafios diferentes
Upskilling é o desenvolvimento de competências que ajudam o profissional a ampliar ou atualizar sua atuação na função atual. Uma equipe de atendimento, por exemplo, aprende a usar IA para organizar informações de clientes e desenvolve critérios para conferir as respostas antes de utilizá-las.
Reskilling exige construir repertório para exercer outra função ou assumir responsabilidades significativamente diferentes. Se a automação reduz determinadas tarefas e cria espaço para atividades de análise ou desenho de processos, parte da equipe precisará desenvolver competências para essa transição.
Reskilling e upskilling são estratégias complementares. A distinção depende da distância entre o que a pessoa sabe fazer hoje e o que precisará fazer adiante. Sem essa análise, a empresa oferece cursos para a função atual e descobre tarde demais que a função mudou.
Por que reskilling e upskilling precisam acompanhar a transformação do trabalho
Cada atualização tecnológica cria uma lista de assuntos que parece urgente ensinar. A empresa adiciona capacitações ao calendário e passa a acompanhar os lançamentos de ferramentas. Uma estratégia de reskilling e upskilling precisa considerar também como essas tecnologias alteram as atividades e os caminhos de carreira.
Em setembro de 2026, a Gartner alertou para o risco de acumular prioridades de aprendizagem a cada avanço da IA sem critérios claros. Sua recomendação é desenvolver capacidades que continuem úteis à medida que ferramentas e processos evoluem.
Isso inclui investigar problemas, formular hipóteses, avaliar evidências e colaborar com outras áreas. O julgamento permite reconhecer limitações da ferramenta e rever decisões. Essas capacidades sustentam tanto o aprimoramento na função atual quanto a transição para novas responsabilidades.
Vale ressaltar que o relatório Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, registra a expectativa dos empregadores de que 39% das competências centrais dos trabalhadores mudem até 2030. O relatório destaca pensamento analítico, flexibilidade, curiosidade e aprendizagem contínua entre as capacidades relevantes para o trabalho.
Para que reskilling e upskilling produzam efeito, a organização precisa oferecer tempo para praticar e apoio da liderança. Cabe também identificar quais atividades serão redesenhadas e criar caminhos de mobilidade interna. Sem essa conexão entre estratégia e desenvolvimento, a responsabilidade pela adaptação recai inteiramente sobre o profissional.
Preparar pessoas para o futuro do trabalho exige combinar reskilling e upskilling em uma estratégia contínua. A formação para a IA disponível hoje precisa alcançar a evolução das funções e as possibilidades de transição profissional, inclusive diante de mudanças que ainda não conseguimos especificar completamente.
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