ESG: conhece essa nova ‘febre’ do meio corporativo?

Se você anda vendo estas três letrinhas e não tem dado atenção, aqui vai um alerta. Juntas, elas são tão poderosas a ponto de aumentar o lucro de uma empresa em milhões de dólares. ESG é a abreviação, em inglês, de Environmental, Social and Governance ou, em português, Governança Ambiental, Social e Corporativa. 

O que significa ESG? 

Dominar esses conceitos a ponto de transformá-los em práticas a serem implementadas por uma companhia pode abrir portas para quem busca um novo posicionamento no mercado de trabalho. É que faltam profissionais aptos a traduzir para o mundo corporativo o peso dos três pilares que representam a sigla mais demandada no planeta neste século. 

Na prática, o conceito refere-se às chamadas boas práticas empresariais, que focam na sustentabilidade e preservação ambiental, na relação com seus funcionários e toda a sociedade, além da adoção de transparência e equidade em sua gestão.  

“Esses princípios estão ligados à preocupação que o mercado deve ter com a proteção ambiental. A gente tem visto discussões fortes sobre as mudanças climáticas que vêm afetando muitos países no mundo, com incêndios grandes ou enchentes em locais que não ocorriam. Isso tudo em decorrência do aquecimento global. Há o foco sobre como esses negócios impactam o social, incluindo temas como distribuição de renda e desenvolvimento de regiões menos favorecidas. Em outra vertente, existe a preocupação com as melhores práticas de governança, que englobam pontos como perenidade, questões de sucessão e sustentabilidade a longo prazo para o negócio”, explica Gustavo Alves, CEO da Nagro, fintech especializada em crédito rural. 

Quem adota essas premissas é melhor avaliado no mercado e vira o centro da atenção de investidores.  

Companhias que atuam sob a prática do ESG também têm menos chances de enfrentarem problemas trabalhistas ou jurídicos, fraudes ou até perda de valor derivados de danos causados ao meio ambiente. Tudo isso significa lucro seguro e aprovação de consumidores cada vez mais exigentes e preocupados com o planeta.  “As empresas que estão mais atuantes nessas frentes do ESG atraem investidores mais qualificados e conseguem acessar capital de forma mais abundante e com custos mais reduzidos”, acrescenta Gustavo. 

É um estímulo a mais para pensar em reduzir os impactos ambientais, além dos prejuízos ao planejar, eles podem trazer prejuízo financeiro direto para a companhia. “Tem fundos internacionais que só compram ativos de quem tem ESG porque esse risco ambiental é neutralizado e essas empresas já adotam políticas ambientais de formas clara e objetiva”, informa o economista e especialista em Direito Ambiental, Alessandro Azzoni. 

O compliance ambiental é uma das ações que ajudam uma empresa a demonstrar para o mercado o quanto está engajada nos pilares do ESG. “Em um processo de análise de crédito, verifica-se, por exemplo, se uma empresa não faz parte de listas de crimes ambientais, se não tem processo trabalhista, nem envolvimento com mão de obra infantil ou tráfico de animais. Se está com seus tributos em dias”, acrescenta o CEO da Nagro. 

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Empresa ESG: certificação

Já há, inclusive, instituições no exterior especializadas na emissão de certificações para quem cumpre os pilares do ESG. Elas fazem auditorias e acompanham todos os procedimentos adotados pela empresa antes de conceder o selo ESG. 

“Eles verificam como os funcionários são tratados, qual o impacto a corporação tem nas famílias e na cidade onde está instalada. Se for uma indústria, como trata seus resíduos e como está desenhada a governança, se tem plano de sucessão, conselho deliberativo, respeitado o porte desta empresa, claro. Quais ações ambientais são adotadas, como redução de carbono e de uso de matrizes energéticas limpas”, informa Gustavo. 

Este, por sinal, é um mercado com amplo potencial para crescer no país. “Hoje no Brasil praticamente não tem empresa que faça certificação ESG. É uma ambiente que vem ganhando mais espaço e relevância não somente nas grandes corporações e está aí para ser totalmente explorado”, analisa Alessandro. 

A adequação ao ESG passa a ser cada vez mais um pré-requisito de competitividade e obtê-la significa investir em profissionais diferenciados, que não somente dominem conceitos, mas saibam criar um protocolo corporativo. 

“Na parte de legislação, advogados especializados em direito ambiental são muito demandados, por conta das normas que têm de ser aplicadas. Porém, não é só conhecê-las, mas interpretá-las a partir da visão empresarial. Deve saber como elas podem contribuir para a corporação, como podem ser moldadas para o time e como incorporá-las no dia a dia. Já o quesito governança inclui uma parte de contabilidade voltada para a transparência”, avalia Alessandro. 

Ser multidisciplinar faz toda a diferença, explica o diretor da Mercoline Assessoria e Consultoria Legal, Davi Barroso Alberto. “A junção do Meio Ambiente com a Segurança do Trabalho, por exemplo, é algo que vem ocorrendo muito. Tem engenheiro mecânico que pode fazer uma pós-graduação em meio ambiente. O mesmo ocorre com engenheiros do trabalho”. 

Fique de olho          

Há empresas querendo surfar na onda do ESG. Fazem marketing voltado para questões ambientais, mas são sustentáveis apenas no papel. Ou seja, praticam fake news ambiental. Elas ganharam o título de greenwashing – que significa, em tradução livre, lavagem verde. Se vendem como engajadas e preocupadas com a preservação ambiental, mas não têm práticas realmente sustentáveis.  

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