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10 Competências para desenvolver no pós pandemia

10 Competências para desenvolver no pós pandemia – Este artigo é uma reunião das 10 competências que vêm sendo mais discutidas nos Congressos Internacionais que participei, nas lives de Gurus da atualidade que assisto todos os dias, e dos recentes estudos publicados sobre as influências da Covid-19 em um novo mundo que se desenha. Não é preciso concordar com todas elas, mas é importante refletir se vale a pena investir para desenvolvê-las, mesmo em um cenário pouco esclarecido que teremos pela frente. Adorarei ler seus comentários sobre elas! Vamos lá!

Adaptative Thinking – Trata-se de um jeito novo de pensar, que se adapta rapidamente à uma nova realidade. Em geral, nosso pensamento é serial e estruturado de maneira cartesiana, ordenada. Aprendemos a pensar de maneira evolutiva, ou seja, se precisamos fazer um bolo, primeiro compramos os ingredientes, depois untamos a forma, em seguida colocamos os ingredientes, levamos ao forno, e por ai vai. Passo a passo. Parece que nosso cérebro não entende se provocarmos uma ruptura de pensamento, onde não necessariamente uma coisa vem depois da outra.

E quando conversamos com alguém com pensamento “desestruturado”, pedimos para ir com calma, pois temos dificuldade de entender. O Adaptative Thinking diz respeito a pensar em diversas soluções de maneira simultânea, ou mesmo atuar com precisão em diversas atividades. É como se fizéssemos o tal bolo, lêssemos um capítulo de um livro entre um ingrediente e outro, ouvíssemos uma música e falássemos ao telefone. Tudo ao mesmo tempo. Nossa estrutura cerebral é preparada para isso, basta saber que enquanto você está lendo este artigo, ao menos 100 funções cerebrais estão atuando simultaneamente. Colocar mais 5 ou 6 não fará ele entrar em colapso, mas é necessário treiná-lo.

Profissionais que tiverem a capacidade de realizar atividades simultaneamente vão aumentar seu nível de entregabilidade e melhorar sua empregabilidade.

Social Intelligence – É muito mais do que fazer networking. Está um patamar acima. Não se trata apenas de ampliar sua rede de relacionamento de maneira proativa, mas principalmente de gerar novas comunidades e se tornar relevante em cada uma delas. Um exemplo que ficará fácil de entender. Todos nós participamos de diversos grupos sociais. Temos os amigos da empresa, a nossa família, os amigos do clube, do condomínio… Se colocarmos todos esses ecossistemas em um papel, há uma grande chance de que esses grupos estejam isolados uns dos outros.

Os amigos do trabalho não se comunicam com os seus amigos da faculdade e assim por diante. O Social Intelligence é uma competência que diz respeito à conectar os grupos em que você atua. Você se torna um grande conector, não só de pessoas, mas de grupos. E pelo fato de atuar na conexão de grupos, você potencializa o seu networking. É como se fizesse relacionamento no “atacado”. Você não só detém o acesso às pessoas, mas também de grupos inteiros. Ampliando de maneira absurda a sua zona de influência.

Se todos os dias você fala, em média com 10 pessoas, ampliando seu networking, dominando a Social Intelligence, você conversará com mil. Para isso, a tecnologia é fundamental.

Transdisciplinariedade – Uma ótima palavra para brincadeira de forca! Hahaha! Este é um conceito adaptado das escolas científicas. Imagine que você domine o Photoshop e ao mesmo tempo a interpretação de balanços e faça, assim, uma apresentação surreal. Claro que esse é um exemplo muito simples. Mas este conceito também é conhecido como Conhecimento da Complexidade.

O tema é tão apaixonante que existe um Instituto que estuda sincronias de temas entre as mais diversas disciplinas e ciências da atualidade. Trata-se do Centre International de Recherches et d`Études transdisciplinaires (CIRET), e fica em Nice, França. Em Outubro deste ano haverá o 3º. Congresso mundial de Transdiciplinariedade, no México. Obviamente, os temas estarão centrados nas descobertas das convergências disciplinares em virtude da pandemia. Nunca esta competência foi tão necessária. As disciplinas médicas, sanitárias, sociais, empresariais, psicológicas e econômicas foram todas desafiadas com o Covid-19 e profissionais que dominam diversas ciências foram os mais acessados para contribuir.

Trata-se de uma competência que revolucionará a carreira de quem a dominar.

New Media Literacy – Ou em Português, Alfabetização em novas mídias. É a competência de saber consumir criticamente e adequadamente informações nos mais variados canais de mídia digital disponíveis na atualidade. Ela diz respeito, também, a como se envolver nas mídias sociais interativas de forma a gerar valor, de produzir e divulgar conteúdo relevante ou mesmo de se comunicar coletivamente como um disseminador de informações sociais e culturais.

Tudo isso é muito mais do que usar o WhatsApp para se comunicar. Esta competência se resume a gerar conteúdos para diversas mídias. Tornar-se relevante em seu setor de atuação como alguém que traduz as informações do mundo cotidiano analógico de maneira digital. Imagine se você pudesse transcrever suas experiências, seu conhecimento ou mesmo suas percepções em uma grande biblioteca digital, com acesso de todos que precisem beber da sua experiência? Algumas pessoas já dizem que é a melhor forma de se tornar imortal. Deixar um verdadeiro legado que possa ser acessado ao longo dos tempos pelas gerações futuras. Já pensou em tornar seu cérebro acessível à todos? Dominar esta competência é alfabetizar à todos, por meio das mídias digitais, com suas ideias, seus conceitos, sua existência. É algo incrível!

Para isso, a mudança de postura é tornar-se muito mais doador de conhecimento na internet do que apenas um consumidor tradicional do que ela oferece.

Pensamento Computacional – Será que conseguimos lidar com um problema da mesma forma que um computador. É uma outra competência bem sofisticada. A primeira ação de um computador para resolver um problema é buscar por padrões existentes. Identificado esses padrões, seleciona-se uma quantidade enorme de alternativas, das mais simples às complexas. Avalia-se a eficácia percentual de cada uma destas alternativas e escolhe-se a melhor solução. Ufa! Agora imagine treinar seu cérebro para realizar isso de maneira analógica. O conceito surgiu pela primeira vez em 1950, e defende uma mudança radical na maneira como lidamos com nossos problemas. Decompô-lo em partes menores e procurar soluções por meio de algoritmos é algo que alguns cientistas já fazem para prever problemas meteorológicos, sísmicos ou mesmo sociais.

Que tal utilizar o pensamento computacional para ampliar a experiência do cliente? Ou mesmo para prever a melhor forma de atender a um cliente que liga no SAC, reclamando?

Cognitive Load Management – Gerenciamento da Carga Cognitiva – Segundo um interessante estudo da Northeastern University, estamos produzindo 2,5 Exabytes de dados por dia! Isso equivale a: 530 milhões de músicas, 150 milhões de iPhones, 5 milhões de laptops, 250.000 Bibliotecas e 90 anos de vídeo em HD. Tudo isso em um dia! A quantidade de dados produzida aumenta de maneira absurda todos os dias, e somos nós quem produz esses dados, o todo tempo.

Future Today Institute descreveu essa competência como sendo a “capacidade de discriminar e filtrar informações por importância e entender como maximizar o funcionamento cognitivo, usando uma variedade de ferramentas e técnicas”. Aqui estamos falando em investir para evoluir o próprio modelo mental e expandir os limites cognitivos. Quanta informação nova você consegue absorver em um dia? Como consegue incorporá-la? É possível diminuir a sua curva de aprendizagem? Frequentemente nos deparamos com a sensação de que é possível expandir um determinado músculo do corpo apenas indo à academia. Basta realizar uma série mais forte de exercícios que já sentimos o músculo doer. Mas quantos de nós investem para desenvolver a capacidade de memorização, absorção de novos conteúdos ou mesmo a criatividade?

 “Um mundo rico em fluxos de informação em vários formatos e em vários dispositivos traz à tona a questão da sobrecarga cognitiva. As organizações e os colaboradores só poderão transformar o influxo maciço de dados em vantagem se puderem aprender a filtrar e se concentrar efetivamente no que é importante. ” Future Today Institute

Sensemaking – De maneira direta, é a competência de definir em conceitos os porquês as pessoas fazem o que fazem. É saber explicar os comportamentos por meio de definições claras, que materializam aquilo que todo mundo sabe que existe mas dificilmente saberia como explicar. Por exemplo: Por que a maioria dos clientes, que entra em um supermercado, prefere começar seu tour pelo lado direito da loja? Como explicar os gatilhos que transformam um colaborador em um profissional altamente motivado? Qual o estopim para que nos apaixonemos por alguém? Em que momento a confiança se estabelece? São muitas perguntas ainda sem resposta. Daí, a grande oportunidade de evoluirmos nesta competência. Se conseguirmos dar sentido às coisas, daremos um passo importante para prever comportamentos e até mesmo evitar desgastes.

O sensemaking é a incrível competência de explicar o que sabemos que existe, mas não temos como comprovar.

Sagacidade – Inovar é algo complexo e muitas vezes caro. Companhias investem bilhões, todos os anos, para criar uma embalagem nova, um produto ou serviço inovador. Start-ups se amontoam nos mercados mais distintos propondo soluções impactantes oriundas de ideias criativas e absolutamente fora da caixa. Mas qual o custo da inovação? No meio disso tudo surge uma nova competência, que remete aos esportes. Trata-se da Sagacidade. Ela é o contrário da inovação mas sem significar o seu antônimo. Ao invés de criar algo, tenha a habilidade de procurar algo que já foi inventado, e seja sagaz de trazer essa inovação para dentro da sua empresa. As companhias não têm todo dinheiro que gostariam para criar coisas novas, ou mesmo softwares e aplicativos novos. Mas, e se soubéssemos corretamente onde procurar para trazer uma invenção já existente e adaptá-la ao business? O resultado poderá ser mais barato e mais rápido.

Profissionais sagazes aprendem rapidamente a procurar inovações existentes, desenvolver sua capacidade de propor parcerias, e inseri-las nos negócios onde atuam.

Crosss Cultural Competence – Competência focada na liderança. Imagine uma área onde todos os seus funcionários pensam de forma totalmente diferente a respeito de uma ideia. Parece ser muito difícil de administrá-la, principalmente se você costuma suspirar profundamente quando alguém discorda de você. Pois trata-se de uma competência das mais valorizadas na atualidade. Trabalhar com pessoas com culturas, formações e históricos diferentes fará com que todos ampliem sua forma de ver soluções para os problemas.

Buscar a “esquizofrenia” de ideias parece ser um passo interessante para sair da mesmice e reinventar as organizações. Fredecir Laloux não me deixa defender essa ideia sozinho. Agora, pense como estamos distantes desta ideia na atualidade. Basta olhar as vagas dos sites de recrutamento e seleção para perceber isso. Quando uma vaga é divulgada, o recrutador diz exatamente o que a empresa espera do candidato. É a empresa quem diz o que quer, do jeito que quer.

Quantos profissionais poderiam contribuir com esta companhia levando visões completamente diferentes? Por que as empresas insistem em afirmar que sabem exatamente qual é o perfil do profissional ideal para si?

Virtual Colaboration – Essa competência parece ser batida, mesmo em tempos em que fomos forçados a trabalhar virtualmente. Mas ela não se trata apenas de saber a etiqueta das reuniões virtuais ou mesmo como se comportar em um webinar. Virtual Colaboration é sobre estar disponível para ajudar os colegas ao mesmo tempo em que você realiza suas atividades. Novamente, temos uma competência que exige a realização de atividades simultâneas. Quando trabalhávamos em um escritório físico era muito comum ajudarmos nossos colegas apenas quando tínhamos tempo, ou mesmo, se paralisávamos o que estávamos fazendo para socorrer quem nos pedisse ajuda.

A Virtual Colaboration é ajudar um colega ao mesmo tempo em que continuamos nossa atividade. Haja cérebro!

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